sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Amigos próximos tem atividade cerebral parecida, afirma estudo

Padrões de atividade neural é similar entre amigos. (Foto: Creative Commons / trevoykellyphotography)

 

“Diga-me quem és, que te direi com quem andas”. O velho ditado pode estar errado, mas segundo um grupo de pesquisadores da universidade americana Dartmouth, é assim que funciona. Amigos tem respostas neurais similares à estímulos, dessa forma conseguiram descobrir quem era amigo de quem.

Para chegar à conclusão, o estudo analisou a amizade de 280 estudantes que faziam graduação na mesma universidade. Os pesquisadores estimaram a distância social entre pares de indivíduos baseados nas amarras sociais mutuamente declaradas. Em seguida, 42 desses estudantes foram postos para ver vídeos variados, incluindo comédia, política, ciências e música, enquanto uma máquina de imageamento por ressonância magnética escaneava a atividade cerebral. Todos viram os mesmos vídeos, na mesma ordem, com as mesmas instruções.

“As respostas neurais aos estímulos dinâmicos e naturalistas, como os vídeos, podem nos dar uma janela nos processos de pensamento espontâneo, sem as restrições das pessoas à medida que se desenrolam”, afirma a autora do estudo, Carolyn Parkinson, que na época fazia pós-doutorado em psicologia e ciências do cérebro em Dartmouth.

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Ao comparar os resultados, descobriram que as similaridades na resposta neural eram mais presentes entre amigos, e esse padrão parece se manifestar nas regiões do cérebro relacionadas à resposta emocional, direcionamento de atenção e raciocínio avançado. Mesmo quando os pesquisadores controlaram as variáveis, como comparar canhotos com destros, idades, gênero e nacionalidade, as similaridades entre os amigos ainda eram evidentes.

Assim, conseguiram determinar se duas pessoas eram amigas ou não, e qual a distância social entre os dois. Amigos tem mais em comum que amigos de amigos, que por sua vez tem mais similaridade que um amigo de um amigo de um amigo.   
 
“Nós somos espécies sociais e vivemos nossas vidas conectados com todo mundo. Se queremos entender como o cérebro humano funciona, nós temos que entender como os cérebros funcionam juntos - como uma mente molda a outra”, disse Thalia Wheatley, professora de psicologia e ciências do cérebro em Dartmouth. 

O plano agora é investigar se nós gravitamos naturalmente em direção às pessoas que veem o mundo do mesmo jeito que nós, se nós nos tornamos mais similares quando compartilhamos experiências, ou se as duas coisas acontecem ao mesmo tempo.

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