segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Estudantes buscam apoio para participarem de torneio mundial de física

Equipe da UFABC representante do Brasil na 10ª edição do International Physicist’s Tournament (IPT). Da esquerda para direita: Andrius Dominiquini, Lucas Tonetto, Ricardo Gitti, Matheus Pessôa, André Juan, Gustavo Saraiva e Lucas Maia. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Pelo segundo ano consecutivo, estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC), estão se preparando para representar o Brasil internacionalmente. Liderados por Henrique Ferreira, mestre em física, os estudantes de engenharia Gustavo Saraiva e Ricardo Gitti, os graduandos André Juan e Matheus Pessôa e os mestrandos em física Andrius Dominiquini, Lucas Maia e Lucas Tonetto, estão classificados para participar do International Physicist’s Tournament (IPT), campeonato mundial de física. O torneio acontece de 1 a 8 de abril, em Moscou, na Rússia.

O IPT é uma competição que reúne estudantes de graduação e mestrado em física do mundo todo para competir entre si, em provas que envolvem a resolução de problemas da área. Neste ano, o campeonato chega à sua 10ª edição e marca a segunda participação do Brasil – a estreia do país ocorreu em 2017, juntamente com a ida da equipe da UFABC à Suécia.

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“No ano passado, ficamos em 11º lugar na classificação geral e em 1º lugar nas Américas”, relembra Pessôa. “Porém, esse ano, estamos ainda melhor: nos pré-classificamos em 3º lugar, posição que nos deixou muito feliz. Acredito que, por já termos alguma experiência no campeonato, estamos mais preparados”, completa o estudante de física.

Contudo, apesar do ótimo resultado, a equipe ainda não tem certeza se irá conseguir participar do IPT. “Precisamos arcar com passagens aéreas para toda a equipe e com a taxa de inscrição do torneio (no valor de mil euros), que cobre a hospedagem e alimentação de todos nós”, explica Pessôa. 

A expectativa do time é que a universidade lhes ofereça um apoio financeiro tal como conseguiram no ano passado. “Mas, mesmo que a gente consiga, o máximo que podemos ganhar é R$ 1,7 mil para pagar nossas passagens”, comenta o estudante.

É por isso que a equipe está divulgando uma vaquinha online para arrecadar até R$ 30 mil e conseguir ir até à Rússia representar o país mais uma vez. “Essa experiência é importante para nosso crescimento como pesquisadores em Física e é uma chance de mostramos para os outros países que o Brasil consegue participar de igual para igual com o restante do mundo. Estar ali é mostrar que temos uma produção científica muito boa e mostrar que investimento em educação é essencial”, explica Pessôa.

Outra forma que os participantes encontraram para arrecadar fundos é por meio de patrocínio. “Algo que seria muito interessante para nós seria um patrocinador, ainda mais esse ano que a Copa do Mundo também acontecerá na Rússia”, acrescenta o estudante.

Como retorno para a sociedade, os estudantes da UFABC querem promover projetos de extensão e visitar colégios públicos de Santo André para distribuir o aprendizado que tiveram com a experiência. A ideia é desmistificar a física e associa-la a fatos do cotidiano. “Queremos mostrar que a disciplina não é decorar fórmulas, mas pensar sobre respostas. Queremos inspirar jovens que estejam no ensino médio a estudar ciência exatas. Fizemos isso no ano passado ao retornar da Suécia e queremos ampliar nossa atuação agora”, comenta Pessôa.

Trabalho árduo
A vivência que a equipe adquiriu na Suécia foi o que os inspirou a participar novamente do IPT. “Foi incrível poder trocar informação com outros estudantes do mundo e ver que o Brasil pode debater de igual para igual”, explica o aluno da UFABC.

Para garantir um bom resultado durante o torneio, os estudantes vêm trabalhando desde agosto do ano passado nos 17 problemas físicos que o IPT elaborou para as equipes participantes realizarem – a organização do evento recomenda que sejam realizados no mínimo 12 questões para evitar penalidades.

“Dessa vez, conseguimos trabalhar nos problemas desde cedo. Ainda estamos estudando os resultados de alguns e devemos levar nossas respostas e análises para apresentar na hora”, afirma Pessôa. Ao longo do ano passado, a equipe veio discutindo sobre os problemas do IPT durante uma disciplina de graduação criada na UFABC especificamente com foco nas questões do torneio.

Nesse ano, a equipe teve que criar uma calculadora baseada no movimento de gotas de água, construir um detector de partículas para ‘leigos’ e descobrir qual a altura máxima em que se é possível reacender uma vela que acabou de ser apagada.

“Fizemos mais de 200 testes para chegar à resposta desse último desafio”, explica Pessôa. 

Na edição do ano passado, a equipe da UFABC angariou elogios com a criação de uma superfície que recria uma aurora boreal. “O pessoal ficou maravilhado com nosso experimento”, relembra o aluno, que espera encantar novamente os estudantes de física do mundo com todo o aprendizado que vem desenvolvendo com sua equipe na universidade.

* Com supervisão de Thiago Tanji. 

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