quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Conheça o laboratório de energia atômica para crianças dos anos 50 que continha urânio

No mundo das novidades relacionadas aos brinquedos, sempre há uma novidade seguindo as tendências de filmes e desenhos de grande repercussão. O que preocupa pais com crianças menores, é o fato destes terem partes pequenas que possam ser engolidas, como tintas com chumbo em sua composição, ou até mesmo partes cortantes. Mas, pelo menos, nenhum desses brinquedos poderá realmente preencher sua sala com radiação do urânio.

Lançado pela famosa empresa americana de brinquedos Gilbert U-238 Atomic Energy Lab, o laboratório de energia atômica Alfred Gilbert foi projetado para ensinar as crianças sobre ciência, deixando-as observar o processo da fissão nuclear real no conforto de suas casas. O kit incluía várias formas do urânio, um dos principais ingredientes nas bombas nucleares.

Também foi incluído no kit uma câmara em nuvem em miniatura para se observar o movimento dos elétrons radioativos. O manual sugeriu que as crianças pudessem criar esta câmara de nuvem para a família e os amigos, se divertindo com uma exibição do decaimento radioativo do urânio. “Imagens e  momentos incríveis!”, O manual se vangloriava, “os elétrons que competem a velocidades fantásticas produzem caminhos delicados e intrincados de condensação elétrica”.

E se isso não bastasse para o seu divertimento, o kit também incluía um contador Geiger para medir os níveis de radiação presentes no ambiente. Não só isso lhe daria um aviso de que seu laboratório nuclear caseiro estava envenenando você, mas o manual também sugeria que as crianças pudessem usá-lo para um jogo de esconde-esconde. A ideia era que as crianças pudessem esconder alguns de seus materiais radioativos e deixar seus amigos acharem isso usando o contador Geiger.

Para ser justo para Gilbert, o brinquedo não era tão perigoso quanto parecia. Embora, obviamente, nenhuma quantidade de radiação seja uma coisa boa, os materiais radioativos incluídos no kit eram bastante seguros para manipular. Os minérios liberavam a mesma radiação do que você obteria a partir dos raios UV do sol. Porém, o manual alertava as crianças para que não as tirassem de seus frascos protetores, uma vez que poderiam deixar cair e espalhar a radiação pela casa.

O maior problema com o kit era o seu preço. A empresa vendia nos anos de 1950 a um valor de aproximadamente 50 dólares (em torno de 160,00 reais). Ajustado pela inflação, estaria próximo dos 500 dólares hoje (1,700.00 reais). Esse é um preço bem salgado para se ter a chance de causar queimadura na pele de seus filhos por conta da radiação.

Da mesma forma que ficar exposto ao sol pode lhe causar queimaduras solares, a radiação de baixo nível do kit poderia potencialmente danificar a pele do usuário, se o usuário ficasse a um determinado tempo exposto. Contudo, Gilbert estava confiante de que o brinquedo atrairia crianças e seus pais. A campanha publicitária sugeria que era uma boa maneira de educar seus filhos em uma carreira em energia nuclear.

Mas mesmo com a possibilidade de encaminhar as crianças para uma vida lucrativa em engenharia nuclear, o kit não vendeu muito bem. Mesmo na década de 1950, as pessoas entenderam que você provavelmente não queria que seus filhos manejassem urânio. Após apenas dois anos no mercado, o Atomic Energy Lab foi retirado silenciosamente das prateleiras. Ao todo, Gilbert conseguiu vender apenas 5.000 unidades.

Você daria um presente destes para algum conhecido?

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